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21/09/2008

Costa Rica - San José

Costa Rica é um país que não tem exército. Na verdade é um parque temático dos EUA. Acho que esse foi um dos motivos de esperarmos tanto na fronteira. Como é um trabalho burocrático, só começou às 7h da manhã, sendo que estávamos lá desde as 5h30.
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Enquanto esperávamos, conheci um Venezuelano que estava fazendo doutorado na Alemanha. Vivia em Berlim a dois anos e estava viajando pelas capitais da América Central para colher as informações necessárias para sua tese - mais tarde reencontrei-o em El Salvador, na rodoviária, um total acaso.

Uma coisa interessante dessa viagem é que você reencontra caras conhecidas. Pois todos fazem, em parte, o mesmo caminho. Seja subindo ou descendo o trajeto.

Cheguei a San José. Era a tarde e estava chovendo. Peguei um taxi até o albergue. Conversando com o taxista ele me contou um pouco da cidade. Mostrou-me a "calle de los drogaditos”, onde ficam pessoas marginalizadas. Disse-me que há muito crack no país e não recomenda passar por ali. A capital parece uma cidade mediana do Brasil. Poucos prédios, muitas casas.


Se não fosse a chuva teria dado uma volta, mas acabei ficando no albergue, que por sinal era bem interessante! Tinha internet e piscina. Pena que estava chovendo.


Costa Rica Backpackers

  • U$16
    (esse sim foi o albergue mais caro, mas pois não aceitaram minha carteirinha de estudante, porque era nacional, mas tem desconto);
  • Internet grátis;
  • Boa localização;
  • Piscina;
  • Café da manhã (se eu não me engano)

http://www.costaricabackpackers.com/

Uma coisa interessante: no meio do ano não é verão na América Central. Eles chamam de estação das chuvas. Eu imaginava que como o mundo é dividido em polo norte e sul, e aqui no Brasil é inverno, logo, acima da linha do equador seria verão. Mas não me liguei em uma coisa, o eixo da Terra é inclinado, então não tem uma divisão certa. Ok! Só sei que que lá tem a estação das chuvas e estação das secas. Pois é próximo a linha do Equador e acaba que não tem as quatro estações.
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Na manhã seguinte peguei um ônibus para La Fortuna, uma cidade mais ao norte, em direção à Nicaragua. Cheguei no “terminal de buses” às 8h, pois o ônibus estava marcado para às 8h40. Como não havia ninguém na rodoviária, aproveitei para tomar meu café da manhã. Havia um cheiro connhecido do ar. Quando percebi, vi que o café da manhã deles era arroz, feijão e carne. Isso mesmo! Nunca imaginei. Na verdade em toda América Central é muito comum comer arroz com feijão (é um pouco diferente, como se fossem misturados, eles chamam de “gallo pinto”.

Deu 8h40 e não havia nenhum ônibus e pouquíssimas pessoas. Nem o ônibus tinha chegado. Achei estranho. Aos poucos foi chegando mais gente. Pessoas que estavam no mesmo albergue que eu. Chegou um casal de meia idade, cerca de 50/60 anos, falantes (gosto muito de pessoas falantes e que não se importam com o que os outros vão dizer). É claro que puxei papo com eles. Os dois muito engraçados. Eles iam para San Carlos, uma cidade um pouco antes do meu paradeiro. Contaram-me que não gostavam de viajar de ônibus, pois achavam cansativo, mas eram obrigados porque no último final de semana sofreram um acidente de carro e este estava no concerto. Falaram que a estrada era um pouco perigosa, pois é apenas uma via de ida e outra de volta, mas sempre tem pessoas que acabam abusando o limite. Não o caso deles, pois outro carro que bateu neles.

Arrisquei fazer minhas gracinhas e trocadilhos, mas em espanhol, uhauhauhauhuahau, e deu certo! Falei sobre hora, porque estava muito atrasado. Saímos de lá só 9h40.

Horários de Autobuses
San José para outras regiões




Um fato muito engraçado:
Descobri que tem diferença no fuso horário do Panamá para a Costa Rica de 1h! UAHUHAUHAUHAUA Eu é que estava errado o tempo todo!!!!




No ônibus sentou ao meu lado uma mulher dos seus 40 anos. Conversei com ela durante a viagem. Ela me contou que era da Nicarágua. Mas que veio apra cá ainda jovem, por causa da guerra (como uma ditadura) que ocorreu em seu país. Nem lembrava mais como era e por causa de uma vida trabalhando, nunca teve tempo de voltar. Tinha 2 filhos, já nascidos na Costa Rica. A senhora e o casal saltaram em San Carlos e eu continuei até La Fortuna.

18/09/2008

Panamá

Ao sair do aeroporto, lá estava eu, literalmente sozinho no mundo. Procurei saber como pegaria um taxi para o meu endereço. Perguntei qual a forma mais barata. Descobri que em qualquer aeroporto o jeito é pegar um taxi, mas me disseram para pegar o taxi colectivo, pois sairia mais barato, porque divide com outras pessoas. Saiu por 11 dólares até o meu destino (sendo que na volta do méxico me cobraram 16).

No taxi fiz amizades. Cheguei no albergue, diferente do que eu havia feito a reserva e confirmado ainda no Brasil. Pois o colombiano, que conheci no taxi, me disse que o outro bairro que ficaria não era muito bom. Cheguei na cara e na coragem e por sorte tinha vaga. Foi o albergue mais caro que fiquei na viagem inteira - U$14,30. Tinha café da manhã, internet, quarto com ar condicionado

Hostel El Carmen
U$14,30
Café da manhã
Internet,
Dormitórios mistos c/ ar condicionado
Localização: Razoável (ônibus fácil)

No dia seguinte conheci uma americana que estava morando no Panamá e me explicou como chegar ao Canal. Meu primeiro café da manhã fora foi na rodoviária, no McDonald’s. Eu num sabia que estava incluso na diária do albergue, só no dia seguinte que fui descobrir.

Pelo o que eu observei, o Panamá é um país não muito interessante. Pelo menos a Capital. O trânsito caótico, ônibus antigos, as pessoas não são muito simpáticas – principalmente os motoristas dos ônibus, incapazes de dar um buenos días. A primeira impressão que tive foi péssima. Grande diferença na distribuição de renda. Lugares bonitos, cassinos e outros lugares não muito agradáveis. Na verdade nada diferente das grandes cidades na América Latina inteira, quiçá, do mundo.

A capital, única cidade que estive durante minha estadia nesse país, não tem muitos atrativos. Além de ser tudo em dólar americano ou Balboa, a moeda local em que a proporção é de 1x1. Apenas o Canal chega a ser perto de interessante. A esclusa mais próxima é a de Miraflores. Você pode ir de ônibus até o terminal e pegar um outro que o deixará na entrada do Canal. Terá que andar um pouco (cerca de 1km) até o museu de onde apreciará a passagem de grandes navios. Há uma narração em espanhol e em inglês enquanto assiste. Tem um filme com sessões intercaladas a cada meia hora também nos dois idiomas. A entrada é de US10, mas estudante paga meia (carteirinha de estudante internacional). Se não quiser assistir o filme paga U$7 e 3,50(meia). O horário de funcionamento é de 9h às 17h. Ah, e os ônibus urbanos, que são caquéticos, mas custam U$0,75!



Outra opção na cidade é a parte antiga chamada de Casco Viejo. Arquitetura antiga, prédios e igrejas. Para início de viagem e não sabia o que estava pro vir, então apreciei. Não me senti tão seguro em nenhum momento em que estive passeando. Acredito que era a minha insegurança de estar fazendo tudo sozinho. Mas também a neura de morar no Rio e ficar com o radar ligado 24h por dia. “Para malandragem alheia, carioca é safo”.

Fiquei 3 dias no país. Um dia antes de viajar comprei a minha passagem para o próximo país, Costa Rica. Eu teria ido embora no segundo dia, mas me dei a chance de conhecer novas pessoas e valeu a pena.

A distância entre Panamá e San José, Costa Rica, pelo meus cálculos são mais ou menos uns 800km. Pois foram 12h de viagem e mais 3h na fronteira. A passagem custou U$ 25. Sinceramente não achei caro (caro é Rio - São Paulo, que são 5h e custa 50 reais!).

Um site muito bom da empresa que peguei é esse: http://www.ticabus.com/
Tem todos os horários e preços para praticamente todos os países da América Central. Desde o Panamá até o México.